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AMARÁS "TEU CONJUGE" COMO A TI MESMO.


Hoje pela manhã enquanto aguardava o atendimento médico para minhas filhas em uma Clínica de Otorrinolaringologia, folheei algumas revistas e numa delas um artigo me achamou bastante a atenção pelas verdades ditas de forma leve e bela, porém, verdades, que me fizeram pensar. Da autoria do Psicanalista do Rio de Janeiro Paulo Sternick. Vou reproduzí-lo aqui na íntegra:

Quem é "dono da verdade" oprime seu parceiro e inibe a criatividade

"Onde temos razão não podem crescer as flores", dizia o poeta israelense Yehuda Amijai. A frase é útil para ilustrar o conflito entre convicção inflexível e florescimento da criatividade. Serve em especial aos pombinhos que se acham donos da verdade. Atitude que contraria os princípios do amor, um encontro criativo e libertário entre duas pessoas que se estimulam reciprocamente.
(Paulo Sternick)

Há um trecho formidável em Macbeth no qual o dramaturgo inglês William Shakespeare faz uma alegoria sobre a diversidade humana: "Na relação geral, passais por homens, como os mastins, os galgos, vira-latas, pastores, perdigueiros - são todos chamados pelo nome de cães".
A idéia é valiosa para todos que procuram um amor ou se esforçam para compreender seu par, pois levanta um paradoxo instigante sobre o fato de que, ao nos sentirmos pertencentes à mesma espécie humana e ao partilharmos igual cultura, nem sempre observamos que podemos ser muito diferentes uns dos outros. Isso fica gritante quando vemos na mídia notícias de ações extremas que nos chocam e nos fazem perguntar como um indivíduo pode fazer aquilo. Mas as diferenças também se revelam no dia-a- dia, de forma mais ou menos sutil, com atitudes de pessoas com as quais convivemos. Por exemplo, prosseguindo com a metáfora de Shakespeare, quantas vezes não ouvimos uma mulher se referir ao parceiro como pit-bull? Ou um homem falando da mulher como a víbora?Há momentos em que o outro, em geral tranqüilo, vira uma fera, explodindo em raiva e emoções fortes. Se isso ocorre vez ou outra, dá para entender que possa ter tido um surto, às vezes reagindo de forma exagerada a algum motivo justo. Mas, se faz isso a toda hora, alguém merece? Pior é quando o pit-bull ou a víbora não "explodem" cotidianamente, mas mantêm temperamento autoritário, inflexível. Quase sempre se julgam donos da verdade, dão ordens, querem as coisas sempre à sua maneira e não sabem dialogar. Teimosia, convicção, onisciência e onipotência não dão espaço ao que é valioso numa relação e se constitui em uma de suas grandes vantagens: a flexibilidade mútua, o reconhecimento dos próprios limites, a capacidade de um aprender com o outro e a admissão das próprias imperfeições em benefício do entendimento.
Quando ele ou ela que são difíceis detêm o poder econômico do casal, aí as coisas ficam mais complicadas ainda. Perguntem se algum dia aceitará fazer análise? Nem pensar, pois sabe tudo sobre si e sobre o par, imagine se vai "rasgar" dinheiro pagando psicanalista? Quem aceita fazer análise reconhece que não pode saber ou controlar tudo e que o crescimento humano requer um par, um vínculo profundo. Foi assim no início da vida, junto à mãe. Assim se espera que seja com todo casal. Mas, como diria Shakespeare, há pastores, poodles e pitbulls. Um dos pombinhos, por dificuldade emocional e psíquica, exorbita, transgride o senso de respeito mútuo, tratando a cara-metade, não raro uma pessoa indefesa e sensível, de forma opressiva e sem considerar a singularidade dela. Ele ou ela tem uma incrível intolerância pelos limites e erros alheios, como se todas as pessoas precisassem ser como eles querem, com pensamento único e forma de ser igual.Conviver com uma pessoa assim deve exigir paciência e noção de que se relaciona com alguém problemático - e, acima de tudo, gostar muito dele. Mas, não raro, quem sofre esse tipo de relação está revivendo uma situação infantil, em que o pai ou a mãe era uma pessoa tirânica e desrespeitava os limites de dignidade na tarefa educacional. Ela foi acostumada a tal exorbitância e converteu a opressão em experiência natural. Pena, pois assim o amor vê soterrado sob a prepotência o que mais o irriga: o diálogo, a convivência democrática, o aprender com a experiência recíproca, a observação da beleza da diferença. Paulo Sternick é psicanalista no Rio de Janeiro e em Teresópolis (RJ).
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Não há lugar melhor do que o lar para praticar a amabilidade, a cortesia, as boas maneiras. Esse artigo, descreve sob a ótica psicanalítica um quadro que se repete com vários casais. Se fosse observado o mandamento de Cristo que cada um ame ao seu próximo como a si mesmo, tudo seria diferente, a criatividade seria como um jardim florido.

Marcos 12:33 ...
E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
Lucas 10:27 ...
E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
Quem é o ser que vive mais "próximo" de nós, que o nosso conjuge? A não ser que o "dono da verdade" seja um narcisista. Assim o seu próximo será ele mesmo pois vive eternamente apaixonado pela sua própria pessoa.O Outro, será sempre o outro. Mas no "Reino" não há lugar para narcisistas. A medida de amor é repartida de igual forma entre o Eu e o "próximo". E no amor, existe medida??
Falo de um amor sadio, que flui naturalmente saindo da própria fonte de vida.
Sabias as palavras de Exupéry quando disse:
"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca". (Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela")
As noites seriam melhores dormidas com corpos enrroscados e entrelaçados, se o amor fosse vivido e dado sem pedir nada em troca, a vida seria mais leve e bela, o céu mais azul, as noites menos longas e sombrias. O amanhecer chegaria e a luz do sol entraria pelas janelas iluminando "cabelos assanhados" em rostos sorridentes. O beijo da manhã seria perfumado, mesmo antes da toalete matinal.
O Lar?? O melhor lugar do mundo! A voz do Amado(a)?? A mais bela sinfonia. O seu cheiro?? O perfume preferido. Tranquilizantes?? Não seriam necessários. A presença, a mão que afaga, seria uma alternativa eficaz contra o stress.
A felicidade estaria presente, permanente,alcançando toda a família, cada um fazendo a sua parte de forma harmoniosa, como descreve o salmista:
Salmos 128 Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR. O SENHOR te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida. E verás os filhos de teus filhos, e a paz " sobre sobre teu povo".(grifo meu)
Que as "picuinhas" malditas sejam jogadas no lixo do esquecimento e possamos viver o "essencial" nessa vida que é tão breve.
Essa é uma decisão. Não fácil, mas possível.
Termino essas minhas palavras com um pensamento de Jacques Philippe:
"Amar significa escolher amar, decidir amar. Caso contrário, o amor não passaria de emoção, de superficialidade, ou até de egoísmo".
(Soneide Cardoso de Souza Luz - Dez 2008)