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Uma Questão de Escolha


Acordo e ainda sonolenta dobro os meus joelhos. Gosto de estar assim. Ficaria horas se naquele momento não tivesse necessidade de ir até a cozinha preparar o café da manhã para a minha família. Estamos todos em casa. Uma chuva fina cai, tornando essa manhã de março, bastante aconchegante. Pouco a pouco meus filhos levantam-se e vêm me abraçar.
Antes o meu marido deu-me “um Bom Dia” diferente. Colocou em minha boca um pedaço de barrinha de Cereal. Uma boa forma de acordar, para quem estava com o estômago roncando de fome.
Vejo minha família ao redor da mesa e alegro-me por esta dádiva de Deus. Uma alegria indizível inunda meu ser. É fácil estar alegre. A alegria flui naturalmente.
Há alguns anos atrás, o café da manhã era escasso para nós. Faltava até o sabão para lavar a roupa das crianças. A tristeza insistia em bater a minha porta. Naqueles momentos, apegava-me às promessas de Deus descritas em sua palavra. Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR Deus dos Exércitos.(Jr 15.16)
Resolvi que viveria uma vida simples sem apegos materiais e deixaria que o “Senhor Deus” nos desse a sua porção diária de Alegria. Assim como dava a porção diária do Maná para o povo de Israel no deserto. E assim foi.
Eu, particularmente, levava uma vida cansativa, trabalhando durante a semana toda. Saía de casa às seis da manhã, retornando a noite. Pegava dois ônibus para chegar em casa. Ficava horas esperando em pé no terminal. Aos finais de semana como era de se esperar: lavava, passava , cozinhava, ou seja, colocava a minha casa em ordem. Nossos filhos eram pequenos o que tornava o trabalho dobrado. O sábado era um dia doloroso e longo. Tinha que enfrentar uma pilha enorme de roupa suja. Iniciava pela manhã, quando o sol estava frio, mas à medida que o dia avançava, o calor era enorme, pois não tinha cobertura na minha área de serviço. O sol queimava a minha pele e ardia a minha cabeça. Não podia me dar ao luxo de parar, pois, se assim o fizesse, não concluiria a tarefa o que me forçaria a retomar no dia seguinte e seria mais um dia de trabalho. Corria para terminar antes que escurecesse.  E terminava. À noite o corpo todo estava dolorido.
Queria murmurar reclamar, sentir pena de mim mesma. Mas sabia que esse não era o caminho e lembro-me de uma lição silenciosa que minha mãe passou para mim quando eu era apenas uma menininha: cantar nos momentos de luta. Lembro da “sua voz cantando:” Em vez de murmurares canta um hino de louvor a Deus...” Isso me ensinou a cultivar a alegria a despeito das circunstâncias. Assim como incentiva a palavra de Deus em vários momentos. Podia faltar tudo, mas a alegria do Senhor, jamais! Falo da ALEGRIA DO SENHOR! A alegria que se permite receber pela graça que nos é dada da parte do nosso pai e que cultivamos em nosso interior, independente dos nossos sentimentos humanos, independente do dia da semana, da hora, do local. Ela não varia, como variam os nossos hormônios. Não se vai, quando o sol se põe. Não chega quando o saldo bancário está positivo. É uma alegria indizível. Não se pode medir e entender com sentimentos humanos. Assim como o homem carnal não entende as coisas espirituais. Muitos não entendem a “Alegria do Senhor”. Mas ela está lá, fazendo de muitos “As pessoas mais felizes da terra”.Alegria multiplicada por Deus.
Tu multiplicaste a nação, a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa, e como exultam quando se repartem os despojos. (Is 9.3)
É assim que se explica a alegria daquela irmãzinha abandonada pelo marido, morando em um barraco, contando as moedinhas do pão e que não sabe o que vai lhe acontecer no dia seguinte. Ela irradia alegria em seu semblante e tem sempre uma palavra de conforto para dar. Quando alguém bate à porta do seu casebre é recebido com “festa” e um largo sorriso
O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo. (Sf 3.17).
Isso acontece com as pessoas cujas vidas abrigam o Senhor da Alegria. A fonte não se encontra fora, mas dentro delas mesmas.
Entender isso fez uma grande diferença em minha vida. As tarefas estavam lá. A rotina diária continuava a mesma, mas eram encaradas com alegria. Os “fardos” já não eram tão pesados.
Tudo mudou a partir daquele dia. A alegria do Senhor era a minha força para enfrentar os dias maus.
Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto não vos entristeçais; porque a alegria do SENHOR é a vossa força. (Nee 8.10)